Educador do Mês: professora Maria Auxiliadora Loiola de Figueiredo

Graduada em Filosofia em 1990, Artes Plásticas em 1996 e em Psicanálise, com ênfase na adolescência em 2010, a professora Maria Auxiliadora Loiola de Figueiredo, é a titular da disciplina de Filosofia do Ensino Médio. Com 25 anos de experiência como docente e outros nove anos como psicanalista, a nossa Educadora do Mês afirma que sempre está em processo de formação. “O processo é contínuo e os investimentos grandes. Fiz especialização em psicanálise com linha de pesquisa em Freud e Jacques Lacan pela associação livre de Campinas com apoio da Faculdade Vicentina de Curitiba. Fiz Mestrado em Educação Superior na Universidade de Sorocaba, pós-graduação (MBA) em Pedagogia Empresarial focando a educação e desenvolvimento de talentos humanos na Universidade Federal de Uberaba, Minas Gerais (UFU). Também fiz diversos cursos de extensão na área da Filosofia e em artes, concluindo também um curso em artes, na cidade de Barcelona (Espanha). Atualmente, estou fazendo curso de extensão na Clínica Psicanalítica da Adolescência, no setor da psiquiatria da Unicamp e um outro curso também na psiquiatria da Unicamp, voltado à introdução da Filosofia na Psiquiatria, onde estudamos a introdução da Filosofia da psiquiatria, pelo estudo do delírio e a problemática do critério de Juízo de realidade, bem filosófico”, afirma Maria Auxiliadora.

Após atuar durante 25 anos na área da educação, a professora relata que já trabalhou em várias modalidades de ensino. “atuei no infantil e fundamental como professora de Artes, fundamental e médio em artes, fundamental e médio em filosofia e médio em sociologia. Também Já atuei em cursos tecnológicos lecionando na área de técnico do trabalho e enfermagem, e na psicologia do trabalho. No momento estou lecionando no ensino médio na área de sociologia, filosofia e história da arte, e também atendendo na clínica psicanalítica”, explica a professora de Filosofia.

Sobre a forma de ver o processo de ensino e aprendizagem dos alunos, Maria Auxiliadora relata que “estamos vivendo um momento muito confuso onde a escola tem muitos profetas de seu acaso. Atualmente a tecnologia, com suas mídias sociais, atuam com muita sedução na vida dos alunos, isto faz com que a escola fique atenta para não se tornar obsoleta, ela (a escola) precisa se renovar, pois as conquistas tecnológicas não afastam e sim aprofundam as perplexidades e os impasses culturais. Investigar o sentido da educação, redescobrir a sua finalidade é primordial (bem filosófico). Para mim essa reflexão é primordial para exorcizar o fantasma da desnecessidade da escola e não promover arranjos no aparato administrativo ou na engenharia da aprendizagem, que aproxime as tecnologias da rotina escolar do clichê pedagógico. Defendo não só a sala de aula regida por um professor, mas também a escola pública e gratuita como espaço privilegiado de convívio das diferenças humanas, sejam elas étnicas, religiosas, intelectuais, sociais e econômicas, e é por aí, a meu ver, que a escola pode reencontrar o destino que vem negligenciando. Não podemos cair num discurso utilitarista, tecnocrático e consumista, se cairmos nesse obscurantismo o processo de ensino/aprendizagem estará comprometido”, avalia.

Das experiências que presenciou no campo da educação, Maria Auxiliadora Loiola de Figueiredo conta uma situação marcante em sua carreira: “Uma vez em Minas Gerais dando aula em um curso noturno numa escola pública de periferia fiquei muito sensibilizada com os cortes de verbas aplicados. Faltava tudo e só não faltava aluno. Parece que estamos vivendo esse caos novamente ou nunca saímos dele… faltava tanta coisa que as crianças só tinham lixo, literalmente, para trabalhar na arte, não que o lixo não seja rico em seus aspectos, mas os alunos sentiam muita falta de um papel, um lápis de cor e por aí vai. Mas, o que realmente me sensibilizou foi a falta de comida, pois foram cortadas as verbas para a merenda escolar, e esses alunos que em grande parte vão à escola com muita necessidade nutricional sentiram essa falta em sua potência… a cena foi muito significativa. Para aprender é preciso comer. Como em minha disciplina o desenvolvimento da consciência crítica do aluno é importante, tenho sido privilegiada no contexto atual onde trabalho, que é o Colégio Almeida Júnior, uma escola em que os diretores são educadores e estimulam esse desenvolvimento crítico que é tão relevante na sociedade em que vivemos. Tenho certeza que quando eu não estiver mais na escola, sentirei falta dessas pessoas que me deram “liberdade” para lecionar, liberdade que só pessoas críticas conseguem desenvolver e proporcionar ao professor uma aula diferenciada. Meu muito obrigada! Obrigada pela ‘liberdade e confiança’ que considero o mais significativo nos tempos atuais”.

Em relação aos projetos a serem desenvolvidos no colégio durante o ano a professora Maria destaca que “sempre sonhamos, realizamos alguns sonhos e outros não, devido aos horários serem tão apertados principalmente nas disciplinas em que leciono, temos que dar conta da proposta pedagógica, mas sempre estamos ‘movimentando’, com projetos. Sempre realizamos projetos na semana de artes e na expo-educativa. Levantamos um tema pertinente, focamos esse tema numa reflexão filosófica, debatemos sobre esse tema e fazemos um projeto para sublimar na arte. Fora esses projetos que são fixos todo ano podem acontecer alguns esporádicos e que gosto muito, são projetos que envolvem o social, os alunos saem da escola para ter uma vivência reflexiva agregando experiência e o modo de encarar a vida com um outro olhar para o real. Só tenho a agradecer a todos do Colégio Almeida Júnior por tanto aprendizado!”, finaliza a professora Maria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *