Visitando e construindo conversas pelo Brasil, o diretor da Escola da Ponte de Portugal, José Pacheco, abriu, na noite desta 4ª feira, 12/07, o Ciclo de Palestras no anfiteatro da escola, com a participação de mais de 200 pessoas entre educadores, pais, alunos e profissionais em geral.
De acordo com as colocações do professor Pascale, diretor do Colégio, à imprensa regional presente, o evento faz parte das ações que a escola tem promovido para consolidar em Itu uma opção de educação inovadora, baseada na construção de conhecimento compartilhado, onde a aprendizagem está apoiada na tríade pensar-sentir-agir do sujeito-aprendiz.
Com esta visão e prática pedagógica, o Colégio Almeida Júnior criou a oportunidade para centenas de pais e profissionais saborearem a vasta experiência - por vezes provocadora, sempre sensível e profunda - de José Pacheco, um educador reconhecido internacionalmente por sua ousadia e coragem, há 30 anos à frente de uma escola que revolucionou o conceito de educação em Portugal e em outros países do mundo.
Os momentos de reflexão extremamente bem humorados, conduzidos pelo carisma e pela inteligência perspicaz da argumentação teórico-prática do educador, nasceram das perguntas dos presentes, traduzindo um pouco da experiência portuguesa, de sua história e histórias, de suas conquistas, rotinas e princípios.
"Não é possível uma Escola da Ponte em lugar qualquer do mundo; o que é possível é a construção histórica de cada escola. É preciso estudar, fundamentar as ações e os planos da escola. É preciso ensinar de todas as formas. Incluir: realmente... Isto precisa ser entendido, urgentemente!", disse José Pacheco, que conversou a respeito das formas de condução das atividades de estudo na Ponte, da mobilização e ações de pais, professores e alunos no processo educativo, dos problemas de resistência que ela historicamente enfrentou, dos métodos de ensino, de questões de currículo e sistema escolar, dos princípios filosóficos da experiência, de problemas envolvendo autoridade, autonomia e ensino tradicional e dos paradoxos da cultura escolar, entre outros.
A chegada de José Pacheco no Colégio se deu por volta das 18h. Até as 19h30min, ele esteve conversando com a direção e, posteriormente, com a equipe docente do A+; um dos temas da conversa foi a assembléia de classes, prática que o colégio vem formatando como procedimento de gestão democrática há alguns anos.
Os olhos dos presentes, ao aproximar-se o fim da fala de Pacheco, tocados pelo Hino da Escola da Ponte cantado ao violão por ele, ao vivo, revelavam a emoção do pertencimento no momento único, histórico e as buscas de novos caminhos para uma educação possível de ser conquistada, efetiva e historicamente, além do sentimento do "inesgotável" e de "ternura"; especificamente, para a equipe do Colégio, revelavam ainda o fortalecimento de uma identidade da propriedade pedagógica diferenciada buscada pelo Almeida Júnior, em Itu e em nossa região.
Tanto no início como ao fim do evento, o Diretor Pascale reiterou a grandeza e a particularidade da simplicidade e da sabedoria do "Mestre", como declarou a José Pacheco, entregando-lhe um pacote com lembranças de Itu e um cartão com desenhos e mensagens dos alunos: "Que a ponte seja eterna. E venha +++++ vezes", ali estava escrito.
O encontro fez parte do Ciclo de Palestras do Colégio Almeida Júnior, sempre comprometido com os princípios que marcam sua proposta pedagógica de atuar sobre a formação permanente de seus professores, pais e demais interessados.
A palestra teve o apoio da empresa COMCREARY, Livraria Nobel e Café do Ponto.
O próximo Ciclo de Palestras se dará dia 10 de Agosto, com a presença de Maria Amélia Pereira, a Peo, da Casa Redonda, de São Paulo, que trará aos presentes uma experiência também marcada profunda e singularmente pelo "humano" e pela inovação que inspiram seus tempos e espaços de formação.
ESCOLA DA PONTE
José Pacheco e a Escola da Ponte ficaram bastante conhecidos no Brasil, sobretudo a partir de 2004, quando Rubem Alves (educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp) após ter visitado-a, divulgou crônicas assim apresentando-a: “Eu também pensava que fosse impossível uma escola diferente. Mas fui a Portugal e lá encontrei a escola com que sempre sonhara: a ‘Escola da Ponte’. Me encantei vendo o rosto e o trabalho dos alunos: havia disciplina, concentração, alegria e eficiência.”
A Escola da Ponte teve início em 1976, passados dois anos da Revolução dos Cravos, que derrubou o regime salazarista em Portugal. Sob o comando de José Pacheco, que dirige a instituição até hoje, pais, professores e alunos começaram a construir um novo projeto pedagógico para a escola. As salas de aula foram extintas, e as atividades passaram a ocorrer em áreas abertas, partilhadas por todos. Pequena, com cerca de 200 alunos, a escola recebe crianças do primeiro e segundo ciclos do ensino básico (de 5 a 13 anos). A partir do primeiro ano, os alunos já constroem seu currículo.
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Colaborou para este texto: mídia do itu.com