Erotização da Infância

Temos observado uma crescente precocidade nas expressões e vivências sexuais de crianças e adolescentes e, ainda, de tragédias envolvendo pedofilia, abusos e violência sexual. Diante destes fatores, é inerente uma reflexão sobre os paradigmas sociais que podem estar favorecendo esta banalidade sexual, bem como a adultização e erotização da infância e adolescência.

Basta observarmos com um pouco mais de cuidado as expressões culturais atuais, como a música e a dança, e perceberemos o quanto elas têm se mostrado carregadas de uma erotização, explicitada através das coreografias, da exibição do corpo e do próprio conteúdo das músicas. Uma vez que isso faz parte da nossa cultura, acabamos por incentivar as crianças a reproduzirem esta forma de expressão, se tornando parte de seus cotidianos e sendo encaradas com normalidade. Nos esquecemos que a informação que é interpretada por nós, adultos, de uma forma, é interpretada pela criança de outra completamente diferente, pois ela não tem condições intelectuais e nem maturidade para fazer uma leitura adequada de algumas mensagens.

Quem nunca se surpreendeu ao assistir um vídeo de crianças muito pequenas reproduzindo movimentos que imitam o ato sexual e que são chamados de “dança”? Os símbolos relacionados ao sexo foram banalizados. A todo momento somos bombardeados por esses códigos, através da TV, outdoors, revistas, internet e o problema está em eles serem acessíveis a todos, independentemente da idade. Começamos a ver, então, meninas usando maquiagem, calçado com salto, roupas curtas e justas e os meninos seguindo um estilo dos adultos: surfista, skatista, falando gíria, andando com ginga e usando tatuagem artificial. E aí nos perguntamos: as crianças estão precoces demais ou a sociedade adulta está impedindo que a infância seja vivida como tal?

É preciso considerar que os limites impostos pela violência nas ruas nos levaram a manter as crianças mais tempo dentro de casa e, consequentemente, mais tempo em contato com as tecnologias e meios de comunicação. Porém, é comum pai e mãe serem trabalhadores e disporem de pouco tempo com os filhos, o que pode comprometer a orientação sobre o que assistir e acessar. Há ainda o fato de estes aparelhos, frequentemente, comporem de forma significativa as relações familiares, exemplos disso são as reuniões em família ocorrerem perante a televisão e as conversas familiares através do Whatts App.

Desse modo, as crianças acabam passando muito tempo em contato com simbologias das mais diversas, muitas aparentemente inofensivas, mas que carregam uma veia subliminar de violência, erotismo ou até mesmo de distorção da realidade. Não podemos perder de vista que todo tipo de informação que a criança recebe constantemente tem um reflexo no seu psiquismo. O acesso da criança ao universo adulto, sem qualquer tipo de filtro, empobrece sua formação. Mesmo aquilo ao que estamos habituados (como as dançarinas semi-nuas nos programas de domingo) passam uma mensagem de erotismo e sensualidade que não deveria ser exposta ao público infantil. É necessário lançar um olhar crítico àquilo que está disponível às nossas crianças, deixando de lado o senso de normalidade. É responsabilidade dos adultos determinarem o que é apropriado à criança e limitar o seu acesso ao que consideram inadequado. Crianças devem brincar, estudar, interagir com outras crianças, desenvolver habilidades sociais e não reproduzir aspectos próprios do mundo adulto. Devemos respeitar a infância e consagrar o direito da criança de ser criança, em tudo o que implica este momento da vida, e não reduzir esta fase a mera projeção dos adultos.

EROTIZAÇÃO DA INFÂNCIA

ESTE ARTIGO FOI ENVIADO PELA NOSSA COLABORADORA

 MARIANA CALONEGO

PSICÓLOGA – CRP 06/124399

CONTATO –(11) 9 9358-2043

marianacalonego@hotmail.com

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